quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Todo mundo tem um amigo que foi criado pela avó.

Isso é fato! Não tem como fugir. Toda turma tem um desses. Sua educação, sua delicadeza, o papel principal no teatro da escola e seu amor pela poesia encantam até a mais judia das mães. Ele é aquele amigo que sua mãe usa como exemplo de educação, de maturidade e de comportamento, afinal, ele nunca chegará em casa com um olho roxo, sujo de lama, com a roupa nova rasgada ou com os joelhos esfolados. Bom, pensando bem, joelho esfolado lá pelos 15 anos ele começa a ter. Pra sua mãe ele é o filho que ela gostaria de ter. A ele, sua mãe não poupará elogios.

Não ouse contraria-la. Uma simples cara de “que saco” nessa hora, será o suficiente para que você seja visto como um ogro, um vândalo, um primitivo, um selvagem ou na linguagem materna: você é igualzinho ao seu pai!

É filhão, se ouviu isso, danou-se. Você acaba de perder pontos. E muitos. As consequências vão das mais leves como obrigá-lo a andar com ele pra cima e pra baixo, até deixar de fazer o seu prato preferido no dia do seu aniversário e fazer o do seu amigo criado pela avó, que nem foi convidado por você, e sim por ela.

E conforme o tempo passa, as coisas só pioram. Sua mãe vai achar linda aquela bermuda caqui que ele usa, aquela malha nos ombros, e, principalmente, o fato dele detestar futebol. Até a tatuagem de estrelinha no pulso dele ela vai gostar. Já a sua, aquele dragão no braço, é coisa de marginal. “Você deveria ser mais como o Adalberto meu filho! Aquilo sim é um menino direito! Vocês ficam maldizendo ele, mas olha lá! Ele está sempre rodeado de meninas.” É, tem mãe que é cega. Mal sabe ela que o Adalberto vive rodeado de meninas por outros motivos.


Se você está nessa situação, aqui vai a boa notícia: com o tempo, ele vai se afastar da turma e encontrar seus verdadeiros amigos. Aqueles que foram criados pela tia, pela irmã mais velha, pela madrinha, por um casal lésbico. E quando isso acontecer, esse peixinho fora d’água não só vai encontrar o seu aquário, como também vai fazer nado sincronizado, pegar onda de body board e mergulhar nas ondas se sentindo a garota do Fantástico.

Olha, do jeito que as coisas andam, parece que as avós, tias e madrinhas andam criando mais gente do que os casais convencionais. Só sei de uma coisa: filho meu que não apareça em casa falando fino, nem trocando s por f nas palavras que leva logo um murro no peito.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

JAGO!

Jago: também conhecido como jagunço, bugre, tigre, charlinho entre outros. Um jago é um ser único. Na real, ser um jago é um legado, afinal, não basta ser jago. Tem de surpreender. Um jago é capaz de façanhas ímpares como cagar na cama, empurrar com o pé e continuar dormindo, jogar um tijolo pra cima e pegar no dente, dar uma facada nos gurgumilhos (gurgumilho: do pescoço pra baixo é tudo gurgumilho) por causa de um apelido. Aliás, se você quer irritar um jago, dê a ele um apelido. Qualquer um. Isso já justifica a encomenda da sua carcaça.

Os jagos se adptam facilmente a qualquer ambiente: tá na praia? Tem jago! Tá no shopping? Tem jago! Tá no busão? Tem jago descascando mexirica! E não tem jeito amigão, pode se acostumar. Eles são o futuro. São mais resistentes que as baratas. Se rolasse um holocausto nuclear seguido de outro resfriamento global, quem sabe assim, os jagos pensariam em deixar de exixtir. Mas seria por causa do frio. Jago não gosta de frio. Aliás, esse tal de aquecimento global é perfeito para a ploriferação da espécie. Duvida? Vai no sábado pra Praia Grande pra você ver. É um cheiro de fritura no ar, e o pancadão rolando solto.

Isso só pode ser brincadeira do Divino. Mas ele só faz isso porque Deus, sabia que seu filho seria humilhado, espancado e crucificado. Seria crueldade demais fazer isso com alguém. Imagina só, dia 25 de Dezembro, a Estrela Guia no céu. E quem a está seguindo? Os 3 Reis Jagos: Uóxito, Uésley e Vanderley. Em vez de ouro, mirra e insenso, o bambino Jesus teria recebido um pote de NY Looks, uma corrente de prata daquelas bem grossas e o direito de escolher a mulher no programa do Rodrigo Faro.

É filhão… talvez daqui uns anos, haja uma nova reforma ortográfica e palavras como pobrema, poblema, curintha, bixim, oxent, guspir, mortandela, mindingo apareçam no Aurélio. Pode esperar. E o futuro promete. Ô se promete! Se prepara que já já, coisas como: cortar a unha com faca como se descascasse uma laranja, deixar a unha do dedinho grande, entrar no mar de cueca de bolso, ir trabalhar de kichute serão mais que normais.

Só digo uma coisa: filho meu que não se atreva a ser jago, ou toma um murro no peito!