quarta-feira, 28 de julho de 2010

Os populares

Você está em casa, quando de repente ouve aquela música do plantão da Globo. Você corre para a sala e vê: pai jogou a filha da janela. O que realmente me intriga é uma questão: quem são aquelas pessoas que estão sempre ali, protestando, clamando por justiça, indignadíssimos com aquela situação. Quem são os chamados “populares”? De onde vem? O que fazem? Onde trabalham os populares? Bem que eu gostaria de trabalhar num lugar onde crime hediondo é motivo de folga. Imagina você chegando no trabalho, abrindo o e-mail e lendo o comunicado do presidente da empresa: “As pessoas que se sentirem indignadas e/ou lesadas com o caso Nardoni e quiserem protestar NO LOCAL, estão dispensadas. Por favor tragam os vídeos que comprovem o protesto. Faltas sem vídeos serão descontadas do salário”. Só pode ser assim. Por que não é possível. Nego acorda as 4 da manhã pra pegar lugar na fila para entrar no julgamento. Isso porque no dia anterior acordou as 5 e não conseguiu uma vaga. Não trabalha não? Não tem contas pra pagar? Não tem mais oque fazer? De onde vem o dinheiro dos populares? Acho que os populares são aqueles caras do Acre, Tocantins, Piauí que ganham na mega-sena e a gente acha que é trambique de algum político. Só pode ser. E a cada vez que eu vejo os populares, me dá vontade de me dar um murro no peito.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Os Donos da Rua - pela minha @melissapottker

Esses caras nasceram com o dom de arrancar da mais calma das criaturas o mais cabeludo dos palavrões.
Normalmente são barrigudos e usam o cabelo penteado pra trás, quando os tem. São os nossos queridíssimos motoristas de ônibus.
Desconfio que essa seja a profissão que abriga os caras mais mau-humorados da paróquia. Porque eles não querem saber quem vem de onde e em que carro, eles cortam o camarada sem dó. Mas a maldade deles não se restringe a carros, eles também destilam seu ódio mortal aos pobres passageiros do busão. Quando não “esquecem” de parar num ponto pro nobre cidadão desembarcar, eles aceleram para se mandar do ponto assim que avistam um atrasado correndo e balançando desesperadamente os braços. Aposto que assim que deixam pra trás o descabelado esbaforido, se olham no espelho e dão uma piscadela cheia de orgulho.
Mas como a vida é justa, eles dividem a presidência das ruas com eles, os motoristas de táxi. Esses se encaixam também no perfil barrigudo, de cabelo lambido ou de ralas madeixas. Esse caras sabem tudo. Quem matou quem, que time tá fazendo o que, onde, que candidato vai fazer o que e, claro, sabem como ninguém irritar os colegas do busão.
E para formar a vice-presidência da bagaça: a mulherada.
Eu não sou machista, mas, mulherada, pelamor!
Passe batom, rímel e o que for, em casa. O espelhinho que fica colado no parabrisa se chama retrovisor, retro (atrás), entendeu? Use ele antes de resolver freiar do nada. Confira se algum desavisado vem colado na sua traseira antes de apertar com tudo o pedal do meio. Os colegas de rua não tem obrigação de saber que no carro da frente tem uma lady mais preocupada com a liquidação da vitrine do que com o trânsito. Outra dica, a linha amarela ou branca que tem em algumas ruas, serve para dividir a rua e não para você meter o pneu dianteiro em cima e se guiar por ela. E por último e não menos importante: vocês não podem tudo quando dirigem um carro tipo Jeep, ok?
Mas vocês não estam sozinhas. A paixão pelo tal Jeep é compartilhada com os baixinhos e invocados, que completam a vice-precidência da bagunça.
Claro, porque todo baixinho precisar ter um carro muito grande, alto e imponente pra compensar o que a natureza lhes privou. E pra eles, dirigem praticamente um caminhão 6 eixos, carregado com conteúdo altamente inflamável. Por isso, respeite o gigante do trânsito. Eles cortam, dão chega pra lá, buzinam, pedem passagem e se você resolver encarar, aí a coisa fica feia. Sim, porque você já cutucou a fera com vara curta e ainda vai rir na cara do coitado assim que ele se lançar do alto do seu cabine dupla.
Os próximos não entram no alto escalão, mas tem o seu lugar no gerenciamento da coisa: os motoqueiros.
Eles ganham a vida em cima da motoca, mas também perdem. E fazem você perder a sua… paciência. Parecem drosophylas em volta do seu carro. Quando você menos espera tem um do seu lado, atrás, na frente e quando ferrou tudo, até em cima. O hobby desse cara é arrancar espelhos laterais dos desavisados que fecham o corredor e chavecar a doida do carro que na quadra de trás quase o matou quando avistou a vitrine 50% off.
Com essa galera dominando as ruas, mais o CET, tamo bem, né não?
Agora imagina a visão do inferno: uma ex-motoqueira e taxista, baixinha, motorista de ônibus? Pessoa perfeita pra representar a categoria e levar um belo murro no peito.