segunda-feira, 13 de setembro de 2010

O Colégio Eleitoral

Nunca entendi porque nomearam de colégio eleitoral o conjunto de eleitores. Mas ontem, vendo o debate eu descobri o porquê.

Imagine uma sala de aula de pernas para o ar. Aviões, giz e bolinhas de papel cortam o ar. No meio da sala, crianças amarram um nerd na cadeira com seus próprios cadarços e alça da lancheira. À frente da turma, gritando por ordem e sendo ignorada solenemente, está ela, a professora de história. Aquela que é tão esculhambada que mesmo vestindo um Channel continuar com aquele ar de que aquela roupa não foi feita pra ela. Mas ela não aguenta mais viver aquilo. Então ela dá um berro que cala a classe. Mas um segundo depois, o silêncio é quebrado por um salgadinho Pingo de Ouro que é arremessado em sua testa. A classe agora parece a 3º Guerra Mundial. Ela respira, se acalma, repete mentalmente os mantras aprendidos na tribo Pataxó, pega suas coisas e sai da sala. Seu nome era Marina Silva.

Marina Silva já está calma, aquilo não a afeta mais. Ela caminha calmamente até a escada. No caminho cruza com o bedel. Ele fica espantado com aquela cena. Aquilo o choca profundamente. Como eu já disse, ela já está calma e serena, mas de tão esculhambada que é, dá a impressão de estar acabada, exaurida, traumatizada. E aquilo, para um senhor de idade é um ultraje. Eis então que ele se dirige a sala de aula. Mas logo que vê aquilo fica perplexo. Na primeira carteira, está o único alheio a tudo: o japonês. Ele faz a sua lição focado. Como todo bom nerd, é cheio de alergias, e uma delas é a pó. Um giz cai em seu livro e ele espirra. Como o bedel não tem autoridade nenhuma sobre os verdadeiros vândalos, sobra para o japonês que é levado pela orelha até a sala da diretoria pelo bedel Firmino, digo Plínio.

Na ante sala da diretoria o japonês está branco. Já faz 45 minutos que o bedel entrou na sala da diretoria.. A porta se abre e o japonês é convidado pelo bedel a entrar na sala. Eis então que ele fica frente a frente com a diretora. De terno vermelho, cabelão armado e Croc no pé, ela anda em volta da cadeira dele, para em frente a um armário, saca uma régua e começa a falar sobre os tempos da ditadura. 2 minutos após o início do sermão, o japonês dá uma pescada. Ela então resolve dar uma lição nele. Mas não uma lição qualquer, ela tira uma Granada da gaveta, coloca na mão do japonês e puxa o pino. “Se o Sr dormir, Sr Toshio, o Sr. vai se explodir, vai me explodir e vai explodir o colégio todo Sr. Toshio. O Sr. quer isso, Sr. Toshio? Não né?! Muito bom. Vou retomar meu raciocínio então…” É, a Diretora Dilma não perdoa. Ela é o terror dos alunos.

O japonês leva 19 dias de gancho. Desolado, ele vai para o refeitório e senta-se em uma mesa. Ao seu lado, senta-se o professor de filosofia. Com aquele ar melancólico, ele pede licença ao japa para sentar-se ali. Como não fala nada, o professor de filosofia senta-se com ele e começa a comer seu sanduiche de queijo branco e pepino. Uma utopia de sabores, ele mesmo diria. Empolgado com aquele primeiro contato amigável, o professor começa a falar sobre a Escola de Frankfurt para o aluno, que se levanta e sai, deixando mais uma vez, o professor José Serra sem ser ouvido. Mas logo que o japonês sai, chega o faz tudo do colégio, um bigodudo muito bonachão. Ele senta-se ao lado do professor Serra e começa a falar sobre o projeto que ele quer fazer no pátio: o aerotrem. Mas como ele tem muito pouco tempo, não consegue terminar de falar pois o sinal toca, e é hora de todos voltarem a seus afazeres.

Menos o japonês, que traumatizado com tudo aquilo resolve fugir com a caravana do Circo do Marcos Frota e vira palhaço lá e canta uma música mais ou menos assim: Florentina, Florentina…

Olha, não sei os outros, mas só de pensar que estamos nas mãos desse povo, me dá vontade de me dar um murro no peito.